Frankenstein – Medo de Quem?
Victoria Frankenstein dá vida a uma criatura diferente. Após o aprendizado dos primeiros passos, esse ser começa a conhecer o mundo e seus habitantes, percebendo que o convívio com os outros pode ser assustador. Ao mesmo tempo em que descobre a doçura de Melina se depara com a hostilidade de Artur. A vida dessa criatura passa a ser uma mistura de medo, amizade, preconceito e amor.
Estreia em Junho de 2011.
Direção: Osvaldo Gabrieli
Elenco: Andréia Malena Rocha, Clarice Steil Siewert, Eduardo Campos e Vinícius Ferreira
Dramaturgia: Osvaldo Gabrieli e o grupo, baseado no romance “Frankenstein ou o Prometeu Moderno” de Mary Shelley
Figurinos: Lucas David
Máscaras: Osvaldo Gabrieli
Cenografia: Osvaldo Gabrieli
Cenotécnica: Bruno Pereira Nogueira e Ordilei Soares
Iluminação: Osvaldo Gabrieli, Hélio Muniz e Flávio Andrade
Trilha Sonora: Lausivan Corrêa, Andréia Malena Rocha e Vinícius Ferreira
Direção Musical: Lausivan Corrêa
Operação de Luz: Flávio Andrade / Manoella Carolina Rego
Operação de Som e sonoplastia com teclado: Manoella Carolina Rego
Material gráfico: Ismael Ramos
Fotografia e Documentação Audiovisual: Base Digital
Assistência de Produção: Manoella Carolina Rego
“Frankenstein – Medo de Quem?” foi um espetáculo contemplado pelo prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz com o patrocínio da Petrobras.
Trata-se de um espetáculo para crianças e jovens baseado no romance “Frankenstein ou o Prometeu Moderno” de Mary Shelley. A famosa história do cientista que cria um ser monstruoso serve como a base da criação de um espetáculo fundamentado mais na ação física do que na expressão verbal, e que atravessa as questões de relação criador X criatura, preconceito e aceitação.
A figura do monstro perpassa a história da humanidade, sendo que a criatura de Frankenstein se tornou figura emblemática do ser sem identidade, renegado, não aceito. Como aponta Bellei (2000, p. 11) “[...] o monstro é aquela criatura que se encontra na ou além da fronteira, mas está sempre e paradoxalmente próximo e distante do humano, que tem por função delimitar e legitimar”[1]. Nessa perspectiva, entende-se a presença dessa figura no universo infanto-juvenil, desde que o “normal” se estabelece na comparação com o “diferente”. Também a busca da identidade, do seu grupo, de ser aceito são questões que atingem a criança e o adolescente de forma contundente.
A ideia de trabalhar sem o suporte da palavra em português foi surgindo nos laboratórios de pesquisa, sendo que também a dramaturgia foi se delineando a partir da cena e dos exercícios propostos pela direção. Nesta montagem os atores utilizam línguas inventadas e o som de instrumentos musicais para compor suas falas, desenhar a própria narrativa da história e as intenções e tensões emocionais das personagens. O movimento dos atores é delineado como uma partitura corporal tomando o expressionismo alemão como inspiração.
Na obra utilizam-se máscaras realizadas com desempenadeiras de construção civil que também se transformam em armas e janelas. A cenografia é composta de estruturas metálicas móveis que permitem diversas configurações de cena. Também são utilizadas no decorrer da obra algumas técnicas de teatro de animação e sombras. A música ao vivo e a trilha sonora pontuam a ação das personagens, criando também diferentes ambientações emocionais para emoldurar a trama.
[1] BELLEI, Sérgio Luiz Prado. Monstros, Índios e Canibais: Ensaios de Crítica Literária e Cultural. Florianópolis : Insular, 2000.
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